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Homília do Domingo da Páscoa de 2019


PRECISAMOS DA AUTORIDADE DE PEDRO QUE CONGREGA, E DO CARISMA DE JOÃO QUE ENTUSIASMA!

1. O Evangelho deste Domingo de Páscoa apresenta-nos os primeiros testemunhos da Ressurreição do Senhor após os acontecimentos da Sexta-Feira Santa. A ressurreição de Cristo é a origem, o sentido último e unificador de toda vida cristã. Trata-se da certeza de um fato na história. O ressuscitado não mais se deixa limitar pelas categorias de espaço e tempo. Por isto não pode ser um fato histórico, mas um fato na história. A morte é um fato histórico, a ressurreição não. Os fatos históricos acontecem e se reduzem à história. A ressurreição transcende a história, por isto só Cristo verdadeiramente ressuscitou. A experiência da morte nele não foi vencedora. Nós morremos e somente nele nós ressuscitamos. Não temos em nós a força para vencer a morte. Somente ele a tem e no-la concede. Por isto, “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus” (Cl 3, 1-2).

2. Hoje, Pedro e João vão conferir as informações desconcertantes que lhes foram trazidas por Maria Madalena. Ela sinalizava um fato preocupante e nada mais do que isto: a pedra da sepultura tinha sido removida. Ela supunha que tinham roubado o corpo de Jesus que ela ia terminar de ungir. O evangelho de São João fala pelos detalhes. Cada palavra e cada gesto ou fato oferecem-nos uma riqueza de significados para além do que lemos.

3. Pedro e João corriam. João era mais veloz, Pedro era mais pesado e mais lento. João chegou primeiro, mas cedeu a primazia a Pedro para entrar no sepulcro. Pedro entrou, viu o sepulcro vazio, os lençóis mortuários e o sudário cuidadosamente dobrados, mas não foi além. Permaneceu na objetividade dos sinais. João viu e acreditou. Em Pedro e João vemos os dois elementos fundantes e essenciais à Igreja: a Tradição e o Carisma. Pedro encarna a Tradição, a autoridade. João encarna o Carisma, a intuição, o entusiasmo: frutos do Espírito.

4. A Igreja, hoje, mais do que nunca precisa desesperadamente retornar às suas fontes, e harmonizar Tradição e Carisma. A intuição de João vem de um grande amor que gerou a fé. A experiência objetiva de Pedro comprovada pelo Senhor que se deixa ver, gerou nele a fé e o amor. A Igreja precisa de Pedro: a fé cristã é fundada em experiência concreta, oriunda da história, garantida pelos apóstolos, em especial, Pedro. Precisamos da segurança do pastor que deve, por obrigação, garantir a fidelidade e a unidade do rebanho. A Autoridade tende a ser mais lenta e deve sê-lo, a fim de que suas decisões mais ponderadas cumpram responsavelmente o ministério que o Senhor lhe confiou.

5. A Igreja precisa de João: o que pensar de uma fé meramente formal e só fundada na Tradição? Não atrai, não seduz e nem mesmo alimenta nossa esperança. O Amor de João é regulado pelo Espírito que nos conduz à verdadeira Liberdade. O Amor de João é motivado pela ação deste Espírito que é capaz de intuir os sinais dos tempos e caminhar à frente deles. João é mais profeta que mestre, mais criativo que repetidor. No entanto, mesmo sendo animado pelo Espírito, João sabiamente se inclina diante da autoridade de Pedro. É Pedro quem lhe garante que seus arroubos vêm de Deus e não de construções de uma mente vaidosa. É a autoridade de Pedro que não hesita em discernir favoravelmente e incluir o carisma de João para que o seu testemunho da ressurreição seja veraz.

6. Acima de tudo a Igreja precisa de Pedro e João. Pedro aprendendo com João, a força e a liberdade causadas pela intuição do amor. João aprendendo com Pedro que a fé cristã precisa ser regulada e transmitida com segurança através da história até a consumação final. Somos os beneficiados, como cristãos, pelo fato de sermos uma A Igreja aprendeu com Pedro e com João que nem o amor sozinho, nem a fé sozinha, bastam para nossa vivência cristã correta. Precisamos de ambos. Por isto hoje podemos proclamar a nossa fé garantida pela Tradição Apostólica e pelo Amor do Espírito que clama em nós e nos impele a proclamar com entusiasmo: “Cristo ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão” (Lc 24,34), Aleluia!


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