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Santíssima Trindade C 16


Como é grande o vosso nome!

Mesmo sendo uma palavra abstrata, «Trindade», o nosso Deus não é um conceito; é um Deus de amor que se fez Criador, Salvador e Guia, para a nossa felicidade.

1ª leitura: "A Sabedoria foi constituída antes das origens da terra" (Provérbios 8,22-31)

Salmo: Sl 8 - R/ Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!

2ª leitura:  "Em paz com Deus, por meio de Jesus Cristo, no amor derramado pelo Espírito" (Romanos 5,1-5)

Evangelho: "Tudo o que o Pai possui é meu; o Espírito receberá do que é meu e vo-lo anunciará" (João 16,12-15)

A Sabedoria presente desde o princípio

Não passemos depressa demais por nossa 1ª leitura. O Novo Testamento vê em Cristo a Sabedoria de Deus, por isso ficamos sabendo que Cristo está aí desde o começo. O Cristo sim, digo bem: este mesmo Cristo de sempre, que se fez homem em Jesus de Nazaré quando "os tempos se cumpriram". Este Jesus dos nossos evangelhos é precisamente a quem Paulo se refere, em Colossenses 1,15-20: "Ele é a imagem do Deus invisível (a visibilidade do invisível), o primogênito de toda criatura, porque nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra." Paulo não fala apenas do Verbo, como faz São João no início de seu Prólogo: para ele, o "Verbo encarnado" já estava aí bem antes da aparição do homem. A Sabedoria do livro dos Provérbios é o Verbo, operando em todas as coisas para produzir a Imagem e Semelhança de que fala Gênesis 1. Esta expressão que define o homem define em primeiro lugar o Filho no qual Deus se conhece e se reconhece. Com Jesus, revela-se à luz do dia o que se encontra fora do tempo. Deus, em Jesus, revela-se saído de Si mesmo: "generosidade expansiva", diz o biblista Paul Beauchamp. Não há Deus, de um lado, e, de outro, como se fosse algo a mais, esta generosidade. Não! Ele é esta generosidade. "Deus é amor". Para Ele, existir consiste em que aconteça este "face a face semelhante a Si mesmo", sendo, no entanto, Outro. Um Outro tirado de Si mesmo (Gênesis 2,18 e 22-24). Isto é o que nos ensina a vinda de Jesus. Ver Tito 3,4 e 1 João 1,1-4.

O Espírito da Sabedoria

Encontra-se na Sabedoria um Espírito inteligente, santo, único e múltiplo, sutil... (Sabedoria 7,22). Este Espírito é o "artífice do mundo". Mas quem, então, é o criador: o Pai, o Filho ou o Espírito? Digamos que quem cria é este intercâmbio, esta tríplice relação que "constitui" Deus. Somos todos concebidos e feitos numa relação de engendramento. Deus é quem gera, quem é gerado, e a própria geração. Foi necessária muita audácia aos primeiros cristãos para acreditar nisto e para dizê-lo, a partir do gesto de Jesus e do dom do Espírito. A imagem que fazemos de Deus, do divino, transformou-se então radicalmente. Não podemos mais dizer simplesmente que Deus é Uno. Agora, é preciso dizer que Ele é "União", conforme Santo Inácio de Antioquia, que concluiu que só existimos verdadeiramente como homens quando nos fazemos, também nós, "União". Um só corpo. A "função" atribuída ao Espírito é ser a uma só vez Agente da comunhão do Pai e do Filho e Quem dá ao Cristo um corpo novo, ao mesmo tempo uno e múltiplo. O sopro de Deus, que é a sua própria vida, se dissemina e comunica-se, fazendo-nos existir por participação na natureza divina (2 Pedro 1,4). O Sopro traz a Palavra e a Palavra se vê ganhar um corpo, o que vale para a Anunciação e, finalmente, para o Pentecostes. Só podemos existir sendo assumidos no Intercâmbio Trinitário.

Um programa para a humanidade

Temos, pois, de nos encontrar com o "divino" que se revela dom de si mesmo. O que exige a duração toda da nossa história. E isto vale não só para cada um de nós como para toda a humanidade. Mas será preciso esperar até o "final dos tempos" para que Deus-União complete a criação "à sua imagem"? Ora, de fato entramos na comunhão divina cada vez que, junto aos outros, criamos relações autênticas. Lembremos este canto bem antigo: "Onde haja caridade e amor, Deus aí está" ou, ainda, as palavras de Jesus: "Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles." Ele está "no meio" por ser o "meio" no qual nos encontramos. Não só ao mediador, que é o traço de união, mas à própria união, n’Ele somente é que podemos aceder. Assim, fazendo-nos irmãos é que nos tornaremos Filhos. Entramos já na eternidade de Deus, mas ainda permanecemos no tempo: nosso estatuto de irmãos e de filhos está incessantemente por se reconquistar, ao fio dos acontecimentos e encontros. A Trindade, no entanto, que nos parece tão alta e tão longínqua está aqui, ao alcance de nossos corações e de nossas mãos. Vivemos isto tudo na obscuridade da fé. Esperando a plena revelação, olhemos como Cristo viveu e agiu, Ele que é a visibilidade do Pai (Santo Irineu). E o Espírito é quem dá o testemunho.

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)


 

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