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7h, 9h, 11h e 19h

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Festa de São Pedro e São Paulo


Dois modelos de apóstolos

Somos convidados a nos apoiar nestas duas colunas que são Pedro e Paulo, em sua fé e testemunho. Sim, apoiemo-nos nesta rocha sobre a qual Jesus edificou a sua Igreja. Apoiemo-nos em Paulo que permaneceu fiel até o fim porque o Senhor o assistiu para que o anúncio do Evangelho se fizesse ouvir em todas as nações.

Missa da vigília (sábado à tarde ou à noite)

1ª leitura: Pedro cura um enfermo em nome de Jesus (Atos 3,1-10).

Salmo: Sl 18A(19) - R/ Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

2ª leitura: Paulo, o Judeu, torna-se Apóstolo de Cristo (Gálatas 1,11-20).

Evangelho: Pedro, pastor do rebanho de Cristo (João 21,15-19).

 

Missa do dia

1ª leitura: Pedro é libertado da prisão pelo Senhor (Atos 12,1-11).

Salmo: 33(34) - R/ De todos os temores me livrou o Senhor Deus.

2ª leitura: Confiança de Paulo no final de sua vida (2 Timóteo 4,6-8.16-18).

Evangelho: ”Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16,13-19).

 

As "colunas da Igreja"

Conforme Mateus, Jesus diz a Simão: «Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja». Deixando de  lado as dificuldades suscitadas por estas palavras, que o evangelista atribui a Jesus, tomemos em consideração o fato de ser a Igreja construída não apenas sobre Pedro, mas sobre Pedro e Paulo, além dos outros onze apóstolos. Um, o apóstolo dos judeus e, o outro, apóstolo dos pagãos. Um «para dentro» e o outro «para fora». Esta dualidade é importante, pois mostra que, desde o início, mesmo havendo um só Papa, a Igreja não está construída sobre um modelo monárquico. Ela é feita de intercâmbio, de diálogo, de concertação. Há diferentes maneiras de ser discípulo de Cristo. Se a Igreja promove o culto de tantos santos, sem dúvida, além de ser para nos estimular, é também para nos mostrar que  não há um modelo único. A multiplicidade das ordens religiosas nos apresenta esta mesma mensagem. É preciso reler o capítulo 2 da Carta aos Gálatas para ver como a Igreja nascente estava aberta para a diferença. No versículo 11, Paulo nos conta até mesmo a sua altercação com Pedro: podia-se fazer advertências, corrigir-se mutuamente, sem que levasse à separação. Em sua segunda Carta (3,15-16), Pedro confessa encontrar passagens difíceis nas cartas de Paulo. Como vemos, a Igreja foi ganhando forma sob o signo de uma unidade feita de união de diversidades. Nenhum traço de monolitismo. São Pedro de Roma com certeza está dentro da cidade, mas São Paulo está «fora dos muros».

Homens falíveis

É notável que as Escrituras não apresentem os fundadores da Igreja como pessoas perfeitas, sem obscuridades nem falhas. No evangelho do dia, Jesus atribui a profissão de fé de Pedro, não à herança de «Simão filho de Jonas», mas à Origem absoluta de tudo o que existe. Logo em seguida, vemos este, que acaba de ser qualificado como a pedra fundamental do edifício eclesial, ser tratado de Satanás, de adversário, habitado por uma voz que não vem de Deus. Uma pedra de tropeço no caminho do Cristo até Jerusalém e a Paixão (passagem omitida em nossa leitura). Na hora decisiva, Pedro renegará o Cristo. E Cristo, segundo o evangelho da vigília, fará com que ele compense de toda forma a sua tríplice negação, por uma tríplice afirmação de amor. Três, uma das figuras do incalculável. Paulo também não foi poupado: em 2 Coríntios 12,7-10, confessa ser atormentado por um «aguilhão na carne», uma tentação, da qual, aliás, é impossível de determinar a natureza. Em Romanos 7,14-24, declara ser, como todo homem, habitado pela «lei do pecado». O conjunto das Escrituras inclui o pecado, a imperfeição do homem no desenvolvimento do projeto da salvação, do triunfo de Deus sobre o nosso mal. Não vamos, pois, exigir dos que nos transmitem o Evangelho e que gerem a Igreja uma perfeição de que nós mesmos não somos capazes. O mal que existe em nós é assumido e usado por Deus para fazer advir o bem.

Figuras exemplares

Este uso do mal para produzir o bem é justamente o que se dá na Paixão de Cristo. O paroxismo da perversidade provoca um super paroxismo do amor. Isto que se passa na Páscoa de Jesus reproduz-se em nossas existências pessoais e, também, na história da Igreja. Dela, somos os beneficiários e temos, a partir daí, de alimentar a ambição de nos tornamos os  seus imitadores. Fazer surgir no mundo um acréscimo de amor a partir do mal que possamos fazer e daquele de que eventualmente sejamos as vítimas; este é o «programa» da ética cristã. Graças a Deus, Pedro e Paulo, os fundadores da Igreja, estão aí para nos mostrar que ele é possível. Pecadores, ou seja, produtores do mal e beneficiários do perdão de Deus, mártires que sofrem em seu corpo, como Jesus, a perversidade dos homens e que aceitam, no perdão que lhes concedem, dar a própria vida, eles nos traçam o caminho a seguir. Felizmente, não foram perfeitos, senão seu exemplo correria o  risco de nos desencorajar. A perfeição está no final de uma longa estrada; é um dom que nos é prometido, não um bem  já possuído. Enfim, escolher a perfeição pode ser muito bem deixarmos de nos preocupar conosco e nos ocuparmos com os outros: «olhar para fora». Assim a Boa Nova do primado do amor poderá ser anunciada, porque vivida, primeiro em Jerusalém (Pedro) e, depois, até nos confins do mundo (Paulo).

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)


 

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