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7º Domingo do Tempo Comum


Amai os vossos inimigos

Por suas palavras, seus comportamentos e sua vida, Jesus nos ensina o que é agora o cumprimento da Lei: «Ser perfeito como o Pai celeste é perfeito.» Não através de meticulosas e multiplicadas observâncias, mas duma ventania de liberdade: «Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus», nos lembra Paulo.

1ª leitura: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Levítico 19,1-2.17-18).

Salmo: Sl. 102(103) - R/ Bendize, ó minha alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo.

2ª leitura: "Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus" (1 Coríntios 3,16-33).

Evangelho: "Amai os vossos inimigos" (Mateus 5,38-48).

A loucura de Deus

As palavras de Jesus, no evangelho de hoje, são um programa para nós. Ou, se quisermos, um ideal a não se perder de vista. Indicam uma concepção do mundo e da vida em contradição com o comportamento habitual da maior parte dos homens. Jesus nos pede para sairmos do espírito do mundo: estais no mundo, mas não sois do mundo, conforme ele nos diz, no evangelho de João. As suas prescrições, que vão muito além da Lei aqui resumida sob a forma do talião, não são certamente para serem tomadas ao pé da letra. Em João 18,22-23, quando um guarda deu-lhe uma bofetada durante o processo, Jesus não lhe ofereceu a outra face, mas perguntou-lhe: «Por que me bates?» Notemos que ele não se deixou levar pela cólera nem buscou vingar-se, mas remeteu o guarda a si mesmo, convidando-o a interrogar-se a respeito do seu comportamento. Jesus não o julgou: encarregou-o de julgar-se a si mesmo. No evangelho de hoje, Jesus vai mais longe: pede que nos submetamos à vontade do outro, mesmo sendo esta uma vontade maldosa. Ele mesmo aceitará dar sua própria carne e o seu sangue, e pedirá para fazermos a mesma coisa, em sua memória. Não pensemos imediatamente em martírio: quantos pais são levados a se submeterem às escolhas imprevisíveis dos seus filhos, quando estes se tornam adultos? E os esposos, então, em relação um ao outro? A cada instante somos convidados a dar a nossa vida, de um modo ou de outro, enquanto esperamos o dom último e definitivo. A perspectiva da Paixão já estava presente no Sermão da Montanha, o primeiro discurso de Jesus, em Mateus. Assim, o final já está presente desde o início. E tudo o que vem em sequência irá apenas demarcar a sua caminhada até ao dom absoluto de si mesmo. Sabedoria de Deus que é loucura para os homens, como diz Paulo.

Como é Deus?

As maneiras de representar Deus de que dispomos são antropomórficas, ou seja, são tiradas do que vemos em nós mesmos, os humanos. É que o Todo Outro nos escapa. Atribuir, no entanto, a Deus o que vemos acontecer entre os homens não é de fato totalmente absurdo, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Sim, mas estamos em vias de terminar a nossa criação e, afinal, a única imagem autêntica que temos é o Cristo «Imagem do Deus invisível» (Colossenses 1,15). Ele é o homem perfeito, completo. Ele é que é «perfeito como o nosso Pai celeste é perfeito» (as últimas palavras do evangelho de hoje). E eis que ele pede que nos unamos a ele aí mesmo, nesta perfeição da semelhança. Só, então, Deus será verdadeiramente o nosso pai, pois o que caracteriza a paternidade ou a maternidade é a semelhança (Gênesis 5,3). Assim, quando Jesus nos pede para sermos perfeitos como o nosso Pai é perfeito, está pedindo para irmos até ao fim da nossa humanidade. Podemos retomar as recomendações que ele nos faz (não enfrentar quem é malvado, dar além daquilo que nos querem tirar, amar os nossos inimigos) sem perdermos de vista, contudo, que elas nos descrevem a própria «conduta» de Deus para conosco. Temos aí quem pode e deve nos fortalecer. É a retomada de ânimo que precede e desencadeia a imitação. Temos de ser como Deus. Era este o projeto de Adão e Eva, deste «homem velho» que se mantém no fundo de nós mesmos. A não ser que este velho homem se engane a respeito de Deus. Escutemos o que dele nos diz o Homem Novo, o Cristo.

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

 

Um chamado escandaloso

O chamado ao amor é sempre atrativa. Seguramente, muitos acolhiam com agrado o chamado de Jesus a amar a Deus e ao próximo. Era a melhor síntese da Lei. Mas não podiam imaginar que um dia iria falará de amar os inimigos.

No entanto, Jesus o fez. Sem a proteção da tradição bíblica, distanciando-se dos salmos da vingança que alimentavam a oração do seu povo, enfrentando o espírito geral que se respirava à sua volta de ódio para com os inimigos, proclamou com clareza absoluta o seu chamado: «Eu, pelo contrário, vos digo: amai a vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem».

Sua linguagem é escandalosa e surpreendente, mas totalmente coerente com sua experiência de Deus. O Pai não é violento: ama inclusive seus inimigos, não procura a destruição de ninguém. Sua grandeza não consiste em vingar-se, mas sim em amar incondicionalmente a todos. Quem se sinta filho de Deus não deve introduzir no mundo ódio nem destruição de ninguém.

O amor ao inimigo não é um ensinamento secundário de Jesus dirigido a pessoas chamadas a uma perfeição heroica. Seu chamado quer introduzir na história uma atitude nova ante o inimigo: quer eliminar do mundo o ódio e a violência destruidora. Quem se pareça com Deus não alimentará o ódio contra ninguém, procurará o bem de todos, inclusive o dos seus inimigos.

Quando Jesus fala do amor ao inimigo não está pedindo que alimentemos em nós sentimentos de afeto, simpatia ou carinho para quem nos faça mal. O inimigo continua sendo alguém de quem podemos esperar dano, e dificilmente podemos mudar os sentimentos do nosso coração.

Amar o inimigo significa, antes de tudo, não lhe fazer mal, não procurar nem desejar fazer-lhe mal. Não temos de estranhar se não sentimos amor ou afeto para com ele. É natural que nos sintamos feridos ou humilhados. Temos de nos preocupar quando continuamos a alimentar ódio e sede de vingança.

Mas não se trata só de não lhe fazer mal. Podemos dar mais passos até estarmos inclusive dispostos a fazer-lhe bem se o encontrarmos necessitado. Não devemos esquecer de que somos mais humanos quando perdoamos do que quando nos vingamos. Podemos inclusive devolver-lhe bem por mal.

O perdão sincero ao inimigo não é fácil. Em algumas circunstâncias, pode-se tornar-se praticamente impossível liberar-se em seguida da rejeição, do ódio ou da sede de vingança. Não temos de julgar ninguém a partir de fora. Só Deus nos compreende e perdoa de forma incondicional, inclusive quando não somos capazes de perdoar.

José Antonio Pagola


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