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3º Domingo do Advento


Viva o nosso Deus!

Ele vem não somente falar conosco (domingo passado), mas também fazer: fazer os cegos verem, os coxos andarem, os mortos viverem... Como, então, não nos alegrarmos? Hoje é o Domingo da Alegria: viva o nosso Deus!

1ª leitura: “Criai ânimo, não tenhais medo! É Deus que vem para vos salvar.” (Isaías 35,1-6.10)

Salmo: Sl. 145(146) - R/ Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

2ª leitura: “Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.” (Tiago 5,7-10)

Evangelho: “És tu aquele que deve vir ou devemos esperar outro?” (Mateus 11,2-11)

 

As duas faces de Deus

Na mesma linha dos balbucios das antigas figuras bíblicas, João Batista via a intervenção de Deus como uma manifestação de poder, uma reposição da ordem obtida através da violência. Isto transparece em Mateus 3,10 e em Lucas 3,7-9. Participamos desta mesma ilusão quando contamos apenas com "nossos cavalos e carros de combate", ou com nossos helicópteros, para estabelecer um Reino de justiça. Sabemos que os discípulos imaginaram até o fim uma tomada de poder por um Cristo que restabeleceria o trono de Davi. João Batista proclamou a iminência da intervenção divina, reveladora da soberania de Deus e, mais ainda, do que Deus é em Si mesmo. Sem qualquer ponta de inveja, viu Jesus tomar a sua vez. Mas eis que foi feito prisioneiro, em detrimento do poder de Deus que proclamara. E Jesus, em vez de mobilizar as multidões para tomar o poder, ocupava-se somente dos pobres, dos cegos, dos leprosos...…João, portanto, estava confuso: "És tu aquele que deve vir ou devemos esperar por outro?" Faria parte também ele destes "bem-aventurados" os quais a nova face de Deus revelada por Cristo não deixará cair? Porque é exatamente disto que se trata: com Jesus, somos convidados a mudar radicalmente nossa maneira de ver Deus. Este a quem chamamos de "divina majestade" revela-se como um excluído, um crucificado nu entre os malfeitores.

Diante da escolha fundamental

A "vida pública" de Jesus teve seu início marcado por dois textos importantes e que estão em perfeita coerência com o que acaba de ser dito. Primeiro, o relato do batismo, que nos informa ser Jesus o "filho muito amado", ou seja, a perfeita imagem e semelhança do Pai: basta olhar Jesus, escutar o que ele diz e observar o que ele faz, para ficar sabendo como Deus é. "Quem me viu, viu o Pai." O segundo texto é o das tentações, que mostra a recusa de Jesus ao messianismo de glória e poder proposto pelo tentador. "Se és o filho de Deus", diz o diabo. Traduzindo: se és a imagem perfeita daquele que é o "Altíssimo"... Pois, justamente por ser a imagem perfeita de Deus é que Jesus escolheu a humildade divina, a renúncia à onipotência, a fraqueza da Cruz, o amor que o faz dar a própria vida para nos dar a vida. Eis-nos aqui, pois, diante de uma subversão radical da imagem divina. E como também temos de ser imagem e semelhança, isto para nós implica em maneiras de ser e comportar-se que estão em contradição total com as nossas tentações de dominar, aparecer e possuir. É uma outra Sabedoria, uma outra maneira de conceber e de viver a vida. É uma outra concepção da verdade do homem. E que exige de nós uma reviravolta, uma "conversão". É reconfortante constatar que João Batista, que é como que a dobradiça entre estas duas maneiras de ver Deus e o homem, tenha experimentado as suas dúvidas e aflições. E nós, também, não estamos sempre nesta encruzilhada dos caminhos?

Rumo à alegria

Que a verdade de Deus, e, portanto, também do homem, seja a difusão de si, a superação do próprio "eu" para ir existir no outro, fazendo-o existir, isto exatamente foi o que fez João Batista: diminuir e desaparecer, para que o Cristo viesse à luz e crescesse (João 3,30). Contudo, se traduzimos isto enquanto renúncia, sacrifício, etc., arriscamo-nos a descambar para uma religião masoquista, num culto à fraqueza. No entanto, a primeira leitura faz o anúncio da alegria como a "revanche" de Deus, ou seja, do amor. Não do amor abstrato de tantos dos nossos discursos, mas de alguém que se define tão somente pelo amor. Por isso é que os grandes beneficiários da vinda de Deus são os que se encontram em estado de privação: os cegos, os coxos, os surdos, etc. E os outros? Também estes devem fazer para si mesmos uma alma de pobre, uma "mentalidade" de pobre; fazerem-se e reconhecerem-se pequenos, tomarem consciência, com lucidez, de estarem privados do essencial, privados de Deus, privados do amor. E esta não é uma lucidez desencorajadora, porque vem conjugada com a esperança de que Deus não nos faltará. Pois Ele, com efeito, é "Aquele que vem" a nós, incansavelmente. E é somente em nossa aliança com Ele que podemos "ganhar peso". O peso da JUSTIÇA que devemos alcançar, pois que nos é dado gratuitamente.

(Tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

 

Curar as feridas

A atuação de Jesus deixou João Batista desconcertado. Ele esperava um Messias que extirparia do mundo o pecado, impondo o julgamento rigoroso de Deus, não um Messias dedicado a curar feridas e a aliviar sofrimentos. A partir da prisão de Maqueronte, envia uma mensagem a Jesus: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar por outro?”.

Jesus lhe responde com a sua vida de profeta curador: “Ide contar a João o que estais vendo e ouvindo: os cegos recuperam a vista, os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem; os mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova”. Este é o verdadeiro Messias: O que vem para aliviar o sofrimento, curar a vida e abrir um horizonte de esperança aos pobres.

Jesus sente-se enviado por um Pai misericordioso que quer para todos um mundo mais digno e ditoso. Por isso, põe-se a curar feridas, curar doenças e libertar a vida. E por isso pede a todos: “Sede compassivos como o vosso Pai é compassivo”.

Jesus não se sente enviado por um Juiz rigoroso para julgar os pecadores e condenar o mundo. Por isso, não atemoriza ninguém com gestos justiceiros; pelo contrário, oferece a pecadores e prostitutas a Sua amizade e o Seu perdão. E pede a todos: “Não julgueis e não sereis julgados”.

Jesus não cura nunca de forma arbitrária ou por puro sensacionalismo. Cura movido pela compaixão, procurando restaurar a vida dessas pessoas doentes, abatidas e alquebradas. São as primeiras que devem experimentar que Deus é amigo de uma vida digna e sã.

Jesus não insistiu nunca no caráter prodigioso das suas curas, nem pensou nelas como receita fácil para suprimir o sofrimento no mundo. Apresentou a sua atividade de cura como sinal para mostrar aos seus seguidores em que direção temos de atuar para abrir caminhos a esse projeto humanizador do Pai que Ele chamava de “reino de Deus”.

O Papa Francisco afirma que “curar feridas” é uma tarefa urgente: “Vejo com clareza que o que a Igreja necessita hoje é a capacidade de curar feridas”. Fala logo de “nos responsabilizarmos pelas pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano, que lava, limpa e consola”. Fala também de “caminhar com as pessoas na noite, saber dialogar e inclusive descer à sua noite e obscuridade sem nos perdermos”.

Ao confiar Sua missão aos discípulos, Jesus não os imagina como doutores, hierarcas, liturgistas ou teólogos, mas como quem cura. Sempre lhes confia uma dupla tarefa: curar doentes e anunciar que o reino de Deus está próximo.

José Antonio Pagola


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