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2º Domingo da Quaresma


Jesus transfigurado

Na primeira leitura, as palavras «abençoar» ou «benção» aparecem cinco vezes. O chamado de Abraão marca uma mudança de rumo na história da salvação. A Transfiguração de Cristo sinaliza isto com muito brilho. No final do evangelho, os discípulos veem somente Jesus. É o tempo da fé. Cabe-nos reconhece-lo no pão, no vinho e no próximo.

1ª leitura: A vocação de Abraão, pai do povo de Deus (Gênesis 12,1-4).

Salmo: Sl. 32(33) – R/ Sobre nós, Senhor, venha a vossa graça, venha a vossa salvação!

2ª leitura: Deus nos chama e nos faz brilhar. (2 Timóteo 1,8-10).

Evangelho: “O seu rosto brilhou como o sol” (Mateus 17,1-9).

A glória da cruz

A voz que foi ouvida pelas testemunhas da Transfiguração pronuncia as mesmas palavras ditas pela voz vinda do céu, no Batismo de Jesus. Nos dois casos, trata-se de uma declaração de identidade: «Este é o meu filho amado». E da afirmação de que todo o amor de Deus o acompanha em seu itinerário pessoal, e também o habita, para reunir todos os homens: «Nele ponho todo o meu amor». Por que reiterar estas afirmações? É que, no Batismo, tratava-se de investir Jesus de autoridade, para que seus ouvintes acolhessem os ensinamentos que viriam em seguida. Mas na Transfiguração o contexto é diverso: imediatamente antes desta imagem de glória, Jesus havia informado os discípulos que deveria ir até Jerusalém onde seria levado à morte. Era preciso que os discípulos ficassem sabendo que, mesmo aí, no horror da Paixão, permaneceria sendo o Filho amado e que o rosto da dor coincidiria com o rosto fulgurante da glória. Esta dimensão pascal estava com certeza inscrita no Batismo, como se tem dito, mas, de qualquer forma, à distância; já, agora, não dá mais para recuar. Para dizer a verdade, o acontecimento pascal aparece diretamente apenas na última linha da nossa leitura, mas está subjacente a todo o relato. Meditemos sobre isto, pois temos muita dificuldade em descobrir, no horror de seu suplício, todo o amor de Deus para com Cristo e, através dele, para conosco. Que fique bem entendido, Deus não é o autor da cruz nem das nossas diversas desgraças, mas vem sim nos reunir e nos «glorificar» em toda parte em que a vida nos coloca.

O rosto de luz

Com o rosto fulgurante de Jesus, pensamos forçosamente em Moisés descendo da montanha em que Deus lhe tinha dado as «dez palavras» da Aliança. Seu rosto resplandecia a tal ponto que devia escondê-lo, para não amedrontar os «filhos de Israel» (Êxodo 34,29-35). Paulo retoma este tema em 2 Coríntios 3,4-18. Explica que, sob a antiga Lei, a verdade gloriosa estava velada, mas que, em Cristo, o véu cai. Esta luz é contagiosa, pois, também «nós todos que, com a face descoberta, contemplamos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados». Passamos do regime de condenação ao regime de JUSTIFICAÇÃO (versículo 9). Este texto de Paulo insiste muito no caráter passageiro da primeira Aliança. E, justamente, o relato da Transfiguração nos põe na presença de Moisés e de Elias, a Lei e os profetas, figuras que recapitulam todo o Antigo Testamento. Cristo veio cumprir, superar, a Lei e preencher as promessas da profecia. Ele realiza a passagem do transitório ao definitivo, ao futuro representado ali pelos três Apóstolos, os mesmos que vamos encontrar no Getsêmani, no limiar da Paixão. Por que somente estes três? Em Gálatas 2,9, Paulo diz que foi fazer com que sua ação junto aos pagãos fosse aprovada por «Tiago, Pedro e João, os notáveis tidos como colunas»; colunas da Igreja, bem entendido. Estamos, assim, às portas de um futuro revelado como pleno de glória.

Rumo ao último Êxodo

De glória sim, e da luz, que se ergue nas trevas... Mas eis que os personagens entram numa nuvem que é a uma só vez luminosa e obscura, pois ela os cobre com a sua sombra. Obviamente, logo se pensa na nuvem que apareceu tantas vezes no Êxodo para manifestar a presença divina. Em particular no capítulo 40, versículos 32-36, uma das passagens em que a nuvem é vista sobre a Tenda da Reunião. Estas múltiplas referências ao Êxodo mostram muito bem que, aqui, estamos nas vésperas do último Êxodo, aquele definitivo: o Êxodo que não mais atravessará o deserto, mas sim o que este deserto representava, ou seja, a morte. Exatamente por isso Lucas, em sua versão da Transfiguração, escreve que Moisés e Elias falavam com Jesus a respeito de «seu êxodo que se consumaria em Jerusalém». Assim como no decurso da travessia do deserto, Pedro quer erguer as tendas. Ora, erguer a tenda é querer instalar-se, é interromper a marcha. Será que o que quer é bloquear ou retardar a passagem do antigo para o novo? Opa! Todos nós buscamos repousar no já adquirido, no que já está aí. Não queremos deixar o lugar em que a glória se manifesta. Mas lá em baixo, ao pé da montanha, serpenteia a estrada que leva a Jerusalém. Da mesma forma que em Mateus 16,21-23, no capítulo precedente, portanto, Pedro não quer partir para esta viagem até à cidade que mata os profetas. «Vou erguer três tendas»... Mas por que exigir silêncio sobre a Transfiguração, até que o Filho do homem ressuscite dos mortos? Porque somente então se poderá compreender que pela Cruz é que vem a Glória.

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

 

Escutar a Jesus

O centro desse relato complexo, chamado tradicionalmente a «transfiguração de Jesus», é ocupado por uma voz que vem de uma estranha «nuvem luminosa», símbolo que se utiliza na Bíblia para falar da presença sempre misteriosa de Deus, que se manifesta e, ao mesmo tempo, se oculta a nós.

A voz diz estas palavras: «Este é o Meu Filho, em quem coloquei o meu agrado. Escutai-O». Os discípulos não devem confundir Jesus com ninguém, nem sequer com Moisés ou Elias, representantes e testemunhas do Antigo Testamento. Só Jesus é o Filho querido de Deus, o que tem o Seu rosto «resplandecente como o sol».

Mas a voz acrescenta algo mais: «Escutai-O». Noutros tempos, Deus tinha revelado a Sua vontade por meio dos «dez mandamentos» da Lei. Agora a vontade de Deus resume-se e concretiza-se num só mandato: «Escutai a Jesus». O escutar estabelece a verdadeira relação entre os seguidores e Jesus.

Ao ouvir isto, os discípulos caem ao chão, «aterrados de medo». Estão atemorizados por aquela experiência tão próxima de Deus, mas também assustados pelo que ouviram: poderão viver escutando apenas a Jesus, reconhecendo só nele a presença misteriosa de Deus?

Então Jesus «aproxima-se, toca-os e diz-lhes: "Levantai-vos. Não tenhais medo"». Sabe que necessitam experimentar a sua proximidade humana: o contato da Sua mão, não apenas o resplendor divino do Seu rosto. Sempre que escutamos a Jesus no silêncio do nosso ser, as suas primeiras palavras nos dizem: «Levanta-te, não tenhas medo».

Muitas pessoas só conhecem Jesus de ouvir falar. O Seu nome resulta-lhes familiar, mas o que sabem dele não vai mais longe do que algumas recordações e impressões de infância. Inclusive, apesar de se chamarem cristãos, vivem sem escutar a Jesus no seu interior. E sem essa experiência não é possível conhecer a sua paz inconfundível nem a Sua força alentar e sustentar a nossa vida.

Quando um crente se detém para escutar a Jesus em silêncio, no interior da Sua consciência escuta sempre algo como isto: «Não tenhas medo. Abandona-te com toda a simplicidade no mistério de Deus. A tua pouca fé basta. Não te inquietes. Se me escutas, descobrirás que o amor de Deus consiste em estar sempre a te perdoar. E, se acreditas nisto, a tua vida mudará. Conhecerás a paz do coração».

No livro do Apocalipse pode-se ler assim: «Olha, estou à porta e chamo; se alguém ouve a minha voz e me abre a porta, entrarei em sua casa». Jesus chama à porta de cristãos e não cristãos. Podemos abrir-lhe a porta ou rejeitá-lo. Mas não é o mesmo viver com Jesus que sem Ele.

José Antonio Pagola


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