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2º Domingo do Advento


Convertei-vos!

Domingo passado, o apelo foi para ficarmos atentos e nos mantermos preparados! Hoje, João Batista nos conclama a que mudemos nosso coração e convertamo-nos à misericórdia, no serviço de acolher... Somente assim podemos preparar os caminhos do Senhor.

1ª leitura: “Ele não julgará pelas aparências, mas trará justiça para os humildes.” (Isaías 11,1-10).

Salmo: Sl 71(72) - R/ Nos seus dias, a justiça florirá.

2ª leitura: O Cristo salva todos os homens. (Romanos 15,4-9).

Evangelho: “Convertei-vos, porque o reino dos Céus está próximo.” (Mateus 3,1-12)

Com a vida pela frente

Quando a idade vai chegando (atenção, jovens: este comentário é também para vocês), há quem diga "ter a vida ficado para trás". A esta constatação, podemos acrescentar que, se formos lúcidos, uma retrospectiva rápida sobre a nossa vida não nos despertaria nenhum desejo de festejar. Aliás, há momentos em que, olhando o passado, só vemos o que foi bom, e outros momentos em que só percebemos fracassos e insuficiências. No fundo, não importa porque, qualquer que seja a nossa idade ou estado de saúde, a nossa vida não está para trás, no passado, mas, sim, diante de nós, à nossa frente. Estamos indo em direção à vida, no que nem sempre é fácil acreditar. Pois eis que estamos, aqui e agora, num ponto preciso da nossa existência. O passado está inscrito em nosso corpo e em nosso espírito como se fossem camadas geológicas, mas ativas, para o melhor e para o pior. É grande a tentação de imaginar que o passado nos enclausura numa espécie de destino. Mas não é nada disso, pois, onde quer que estejamos, estamos sob o domínio de um apelo que nos vem dum outro lugar, dum "ainda não aí". Estamos em processo de criação: estamos ainda “por vir”. Por isso, as três leituras deste domingo, cada uma a seu modo, nos colocam numa posição de espera, de expectativa, ou seja, de esperança (palavra tirada da segunda leitura, onde é dada como sinônimo de perseverança e coragem). A plenitude da vida está diante de nós, no final da nossa estrada.

O que estamos esperando?

A primeira leitura tem a resposta: “Um ramo sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará de suas raízes.” O Novo Testamento vê esta promessa cumprida na pessoa de Jesus Cristo. Seria, portanto, o final desta espera? Não, porque a imagem do rebento, ou do broto, sugere um crescimento. O nosso conhecimento de Cristo, como diz Paulo, por ora é imperfeito. E mais, há o crescimento deste corpo de Cristo que é nossa comunhão na unidade. E que, portanto, em certo sentido, é o crescimento do próprio Cristo, que só atingirá todo o seu porte na hora de “sua vinda, na glória”, o que para nós permanece um mistério. Em 1 João 3,1-2, ficamos sabendo que o nosso próprio crescimento e o ATINGIR A PERFEIÇÃO DA NOSSA CRIAÇÃO coincidirá com a revelação do Cristo tal qual Ele é. Seremos então "participantes da natureza divina" (2 Pedro 1,4.) Quanto ao evangelho de hoje, que relata a pregação de João Batista, está todo ele voltado para "Aquele que vem". Cuidemos, no entanto, de não situar a vinda de Cristo num futuro indeterminado: o "Ele virá" ganha permanentemente a forma do "Ele vem". As Escrituras dão testemunho deste duplo aspecto: o Reino de Deus é para o final dos tempos; e, no entanto, "está próximo", "já está aí, no meio de vós" (ou "entre vós", que incorpora o Reino de Deus ao amor). Em nós, a esperança já é de fato a presença e a posse do que esperamos (numa tradução abrangente de Hebreus 11,1).

O fim do futuro

Aqui estamos, pois, começando sempre a viver uma história, na qual cada instante já vem carregado com a presença do futuro. E esta é uma presença ativa e criadora, uma vez que se trata da Presença divina. Se fôssemos condicionados somente por nosso passado, estaríamos -é preciso repetir- enclausurados na prisão do destino. O nosso passado é de fato assumido e reconstruído ao se desenvolver a nossa aliança com Deus, aliança que faz gerar o novo, pois Deus é sempre novo. Pensemos numa criança, em seu nascimento: há todo um passado dentro dela, no DNA da sua herança. E, no entanto, ela é nova, imprevisível e única. Ser filho de Abraão é uma boa herança, mas, por Deus ser livre, ou seja, detentor do poder de fazer surgir o novo (ou seja, fazer surgir, das pedras, filhos de Abraão), como seus aliados, tornamo-nos participantes da sua liberdade absoluta. Mas João Batista nos anuncia o final deste percurso e a hora do balanço. Ele vê em perspectiva a vinda do Cristo, que veio já em Belém, mas que, agora, com a sua última vinda, está na vigília de nascer para o cumprimento da sua missão: proferir a palavra cortante que opera a triagem entre o bem e o mal, entre o que vale e o que nada vale. Atemorizante? Não, pois somos todos portadores de palha e do bom grão: a triagem final libertará cada um de nós "do homem iníquo e fraudulento" (Salmo 43) que, em nós, que somos imagem de Deus, vive como uma parasita. Tudo virá à luz, mas tudo o que vem à luz, até mesmo as nossas trevas, se torna luz (Efésios 5,13 e Salmo 139,12).

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

 

Percorrer caminhos novos

Pelos anos 27 ou 28 apareceu no deserto próximo do Jordão um profeta original e independente que provocou um forte impacto no povo judeu: as primeiras gerações cristãs viram-no sempre como o homem que preparou o caminho a Jesus.

Toda a sua mensagem se pode concentrar num grito: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!”. Depois de vinte séculos, o Papa Francisco nos grita- a mesma mensagem aos cristãos: abri caminhos a Deus, voltai a Jesus, acolhei o Evangelho.

Seu propósito é claro: «Procuremos ser uma Igreja que encontra caminhos novos». Não será fácil. Nos últimos anos vivemos paralisados pelo medo. O Papa não se surpreende: “A novidade dá-nos sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós os que construímos, programamos e planejamos a nossa vida». E faz-nos uma pergunta a que temos de responder: «Estamos decididos a percorrer os caminhos novos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de resposta?».

Alguns espaços da Igreja pedem ao Papa que efetive o mais prontamente possível diferentes reformas que se consideram urgentes. No entanto, Francisco manifestou sua postura de forma clara: «Alguns esperam e pedem-me reformas na Igreja, e deve ocorrer”. “Mas antes é necessária uma alteração de atitudes”.

Parece-me admirável a clarividência evangélica do Papa. O prioritário não é assinar decretos reformistas. Previamente é necessário colocar as comunidades cristãs em estado de conversão e recuperar no interior da Igreja as atitudes evangélicas mais básicas. Só nesse clima será possível concretizar de forma eficaz e com espírito evangélico as reformas de que a Igreja necessita com urgência.

O próprio Francisco nos indica todos os dias as mudanças de atitude de que necessitamos. Assinalarei algumas de grande importância.

Colocar Jesus no centro da Igreja: «Uma Igreja que não leva a Jesus é uma Igreja morta».

Não viver numa Igreja fechada e autorreferencial: «Uma Igreja que se encerra no passado e atraiçoa a sua própria identidade».

Atuar sempre movido pela misericórdia de Deus para com todos seus filhos: não cultivar “um cristianismo restauracionista e legalista que quer tudo claro e seguro, e não encontra nada”.

Procurar uma Igreja pobre e dos pobres. Ancorar nossa vida na esperança, não “nas nossas regras, nos nossos comportamentos eclesiásticos, nos nossos clericalismos”.

José Antonio Pagola


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