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Homilia da Santíssima Trindade


1. Deus é a realidade mais viva e significativa da nossa existência. Deus, acima de tudo, é para ser experimentado e vivido. O discurso de Moisés no Livro do Deuteronômio é uma exortação ao povo de Israel para ler a história de seu relacionamento com Deus. Uma história única em que Deus lhe revela seu amor. Lendo esta história o povo ilumina sua existência no enfrentamento de um momento difícil e encontra conforto e salvação. 

2. Confrontada com estas narrativas tão antigas, a cultura contemporânea tende a perceber a ideia de Deus como restrita aos povos primitivos e a duvidar se ainda hoje esta hipótese - Deus é razoável. Por isto, precisamos da ajuda dos lógicos contemporâneos para garantir a plausibilidade da nossa fé, conforme a recomendação de São Pedro na sua primeira carta de "estarmos sempre prontos a dar razões da nossa esperança".   

3. Foi isto que muitos teólogos, filósofos e pensadores cristãos fizeram nestes dois mil anos de cristianismo. Mais recentemente, um dos maiores matemáticos e grande pensador chamado, Kurt Gödel, austríaco nascido em Brno, hoje República Checa, falecido em 1978 nos EE.UU., reelaborou o antigo argumento ontológico de Santo Anselmo sobre a existência de Deus. 

4. Segundo ele, a mente humana não pode ser reduzida a uma máquina e uma máquina não pode se tornar humana, pois os logaritmos de um computador jamais substituirão o pensar humano. Crer em Deus, segundo o exímio matemático, é condição necessária e indispensável para uma honesta explicação da realidade. 

5. Para Gödel, Deus, apesar de manter sua face sempre oculta, pode ser percebido através do paradoxo e da intuição. É aquele para o qual não se pode conceber nada maior. A sua existência é inquestionável do ponto de vista dos princípios da lógica modal. A ideia de Deus pode ser expressa como equação matemática e consequentemente sua existência é matematicamente comprovada.

6. Deus se manifesta na potente narrativa judaico-cristã não só como uma abstração apontando para o Mistério Absoluto, mas como alguém que se expressa, que perdoa, que acolhe, e que ama o mundo a ponto de enviar seu Filho unigênito "para que não morra o que nele crer, mas tenha a vida eterna".  

7. São Paulo aos Romanos garante-nos que o Espírito Santo, terceira pessoa divina, se une ao nosso espírito mediante o qual se atesta que Deus nos adotou como filhos no seu Filho. Assim podemos ousar exclamar como Jesus o fez: "Abba", Pai! Configurados a Cristo pelo batismo somos co-herdeiros da sua glória mediante a nossa participação na sua cruz e ressurreição.

8. Nosso Deus é  uma Trindade Santíssima. Ele na sua essência mais profunda é constituído pelo amor inefável de três pessoas que estão por natureza relacionadas. As distinções pessoais que nos permitem chamar a Deus de Pai, Filho e Espírito Santo não formam três deuses, mas Um só Deus. 

9. "Se vives a caridade, vês a Trindade", diz-nos o douto Agostinho. Nossa assembleia litúrgica é a expressão visível da Trindade. Experimentamos a Trindade na fragilidade dos sinais sacramentais mantendo sempre a esperança segura de uma vivência de total comunhão na eternidade. Comunhão que desde já supera infinitamente os profundos anseios humanos por liberdade, igualdade e fraternidade. 

10. Celebrando a eucaristia, nós experimentamos o nosso Deus como Deus-conosco. Ele está no meio de nós e habita em nosso íntimo. Pela eucaristia, sobe ao Pai a verdade de nossa vida, feita de ação de graças e de súplicas, de louvor e de adoração. Nós o fazemos por Cristo, o Verbo que se fez carne, na força do Espírito. Cada Eucaristia, instituída por Jesus na última Ceia para nossa salvação, é ato sublime de perfeita adoração a Deus Uno e Trino. 

11. Glória ao Pai, Deus infinito e santo origem e princípio de toda vida e virtude. Glória ao Filho Unigênito, Jesus Cristo que recupera a vida quando ela é maltratada pelo pecado.  Glória ao Espírito Santo que transforma a vida originada do Pai e redimida por Cristo, em vida de intimidade com Deus. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio agora e sempre. Amém.

Pe. José Cândido

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