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Sacramento da Caridade

Sacramento da Caridade


Uma leitura atenta, isenta e criteriosa da Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis permite-nos uma reflexão iluminada do sentido da Eucaristia e de uma verdadeira vida eucarística capaz de tornar fecunda a nossa frágil existência terrena. O Papa Bento XVI conseguiu alinhavar as cinqüenta propositiones dos padres sinodais, todo o ingente trabalho de preparação do Sínodo, as intervenções, por vezes emocionadas, nas sessões plenárias, e construir um documento coeso, com uma unidade impressionante e  profunda acuidade teológica. Além do mais, por todo o documento percorre, ao lado de admoestações com suas fundamentações bem arquitetadas, uma brisa de compaixão e compreensão para com o ser humano perdido em um mundo sem referências, e, cada vez mais despedaçado na sua ânsia de ser feliz a qualquer custo.

Como uma sinfonia que ressoa poderosa desde os acordes iniciais, a Exortação apresenta a Eucaristia como um profundo Mistério de Amor para ser crido. Aqui  a palavra mistério, em grego mysterion, deve ter seu registro devidamente afinado. Não se trata de algo incompreensível, mas de uma realidade plena de significado existencial que só um coração amoroso, dedicado e aberto poderá, em um contexto de relação e participação, compreender paulatinamente. Um itinerário parecido com aquele dos discípulos de Emaús aos quais, de um lado o Amor se revelava aos poucos, e, de outro lado, o coração deles também aos poucos se aquecia.  Mas, em um momento, a “Fração do Pão” se lhes abriu completamente os olhos e a Eucaristia lhes revelou o Sacramento da Caridade, o Cristo vivo e ressuscitado a eles se uniu em profunda comunhão.

O Papa lembra-nos que em torno da Eucaristia, ponto de partida e ponto de chegada, gira a vida cristã, a vida litúrgica. A unidade nela celebrada é o reflexo de uma unidade vivida e desejada em todos os outros aspectos da vida cristã. A exortação pós-sinodal de Bento XVI não trata das questões do mundo de hoje que afetam a unidade expressa na Eucaristia como um problema de moral como muitos interpretaram. Seria mesquinho ler um documento tão rico desta forma tão superficial. Por vezes tive a sensação de que as críticas ao Papa vieram das aldeias do século passado. Lá onde ressoavam os famosos murmúrios raivosos dirigidos ao velho vigário moralista que, nos famosos “sermões”, deitava falação contra os maus costumes do seu rebanho. Muitas destas críticas só ficaram na tal da praga do segundo casamento. A única coisa que ouviram deu-lhes munição suficiente para criticarem algo que não leram, se lessem não entenderiam, se entendessem, não creriam.

 

Padre José Cândido da Silva

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

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