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Papa Pio XII - História e Mitos

Papa Pio XII - História e Mitos


Há 50 anos, exatamente no dia 09 de outubro de 1958, morria o pontífice da era moderna, o Papa Pio XII. Na época, Golda Meir, ministra das relações exteriores de Israel, dava a seguinte declaração: “Durante os dez anos do terror nazista, quando o nosso povo sofria um dramático martírio, a voz do Papa se fez ouvir para condenar as atrocidades e para expressar sua compaixão pelas vítimas”. Mais de 10 anos antes, em 1945, o Congresso Mundial judaico, “em nome de toda a comunidade judaica”, manifestava, “sua profunda gratidão pela mão protetora estendida por Sua Santidade aos judeus perseguidos durante estes tempos terrivelmente tenebrosos”. Em 1948, Moshe Sharret, futuro Primeiro ministro de Israel, recebido em audiência por Pio XII declara ter dito ao Papa que “seu primeiro dever era de agradecê-lo e, através dele, a Igreja Católica, em nome de toda a comunidade judaica por tudo o que a Igreja tinha feito para socorrer os judeus”.

Estes são os fatos, o resto é difamação e boatos mal intencionados. O Rabino David Dalin, especialista da história judaica e das relações judaico-cristãs, professor de História e de Ciências Políticas da Ave Maria University nos Estados Unidos afirmou em um artigo no The Weekly Standard em 2001 que Pio XII deveria ter sido reconhecido por Israel como Justo das Nações pelas numerosas vidas judaicas que ele salvou. O mesmo Rabino publicou em 2005 o livro, Pio XII e os Judeus, com o sub-título, o Mito do Papa de Hitler, onde ele responde de maneira contundente e responsável ao panfletário livro do britânico John Cornwel, O Papa de Hitler, publicado em 1999 com grande estardalhaço da mídia internacional. O livro de Cornwel retoma as acusações lançadas em 1963 pela peça teatral O Vigário do alemão Rolf Hochuth e que foi adaptada ao cinema por Costa Gravas em 2002 tendo como título: Amen.

Em um estudo publicado nos Estados Unidos em 2007 na National Review o general Pacepa, antigo chefe dos serviços secretos romenos passou ao ocidente a informação de que, no início dos anos sessenta, os generais soviéticos Agayants e Sakharovsky planejaram uma operação de desinformação visando denegrir a memória do Papa Pio XII. Desde a peça de teatro até os dias de hoje os mesmos argumentos são repetidos à exaustão sem que as pessoas se preocupem em interrogar as verdadeiras motivações e os objetivos que subjazem às acusações falsas. No sentido contrário cada vez mais se descobrem fatos e argumentos claramente favoráveis ao Papa. O próprio Cornwel reconheceu com certa relutância a fragilidade de suas acusações ao afirmar em 2004 que “à luz dos mais recentes debates e de provas que foram fornecidas depois da publicação do meu livro eu diria agora que Pio XII tinha uma margem de atuação muito reduzida o que torna impossível julgar seu silêncio durante a guerra uma vez que naquela época Roma estava sob a bota (sic) de Mussolini e ocupada em seguida pelos Alemães”.

Antes de ser Papa, Eugenio Pacelli foi núncio na Alemanha e depois secretário de Estado da Santa Sé sob o pontificado de Pio XI. Em 20 de julho de 1933 foi assinada a Concordata entre a Santa Sé e o governo alemão sob a orientação de Pio XI para tentar colocar fim às hostilidades do governo nazista aos cristãos alemães. No entanto, os nazistas ignorando a concordata continuaram perseguindo os cristãos culminando na “Noite dos Longos Cutelos” em 1934 quando vários líderes cristãos, católicos e luteranos, foram barbaramente assassinados. Em 1937 o Secretário de Estado, futuro Papa Pio XII, chama a Roma o presidente da conferência episcopal alemã, Cardeal Bertram e mais alguns bispos. Desta reunião saiu a redação da encíclica, divulgada na Alemanha em 21 de março de 1937, Mit Brennender Sorge (com ansiosa preocupação), com uma severa acusação ao nazismo. Mas, ao mesmo tempo, a Santa Sé divulgou a encíclica condenatória da ditadura comunista uma semana depois: Divini Redemptoris. A primeira foi ignorada pelo mundo, a segunda até hoje só se fala nela!

Em maio de 1940, quando Pio XII já era papa, o Vaticano informa secretamente aos aliados sobre a próxima ofensiva alemã. Os aliados não acreditam e não o escutam. Wladimir d´Ormesson, embaixador da França junto à Santa Sé afirmou em 28 de outubro de 1940 ao seu ministro das relações exteriores: “Não há o menor traço de nazifilia no Vaticano; Hitler é realmente considerado como o inimigo da civilização cristã”. Seu sucessor, Leon Bérard, nomeado por Vichy afirma algo parecido em 22 de fevereiro de 1941: “A Santa Sé entende que há uma oposição radical, teoricamente irredutível, entre a doutrina da Igreja e aquela na qual se inspira o nacional-socialismo”. Bérard reporta ao almirante Darlan, esta confidência do pontífice: “Eu temo Hitler ainda mais do que Stalin”. Em 1928, sob a orientação direta do Papa Pio XI, o Santo Ofício condenou “o ódio contra o povo judeu eleito de Deus” e em 1939 o novo papa divulga a sua primeira encíclica, Summi Pontificatus, onde reafirma a doutrina católica segunda a qual todo o gênero humano participa da mesma unidade.

O papa desde antes do início da perseguição judaica começou a trabalhar para ajudar a migração dos judeus aterrorizados. Infelizmente encontrou muita resistência em países onde depois surgiram seus acusadores. Na mensagem de Natal de 1942 o Papa estigmatiza a crueldade das execuções e deportações em massa dos judeus. Assim ele expressa seu estupor sobre “as centenas de milhares de pessoas que, sem nenhuma culpa, quase sempre em razão de sua nacionalidade ou de sua raça, são destinadas à morte ou à ruína”. No entanto, filme Amen de Costa Gravas o discurso do Papa é editado sem estas referências em função da sua intenção difamatória. Na Holanda, o episcopado católico em parceria com a Igreja Reformada publicou em julho de 1942 uma condenação muito firme contra a deportação dos Judeus a que o governo de Hitler respondeu com prisões em massa de cristãos de origem judaica. Entre estes estava a religiosa carmelita Edith Stein, hoje canonizada. A conduta do Papa em Roma se inspira na declaração do arcebispo de Berlim, o cardeal Von Preysing que em 30 de abril de 1943, imerso no conflito, dizia: “Nós deixamos aos pastores, tendo em vista sua responsabilidade pastoral, a vigilância de julgar se, e em que medida, o perigo de represálias nazistas aconselha a prudência, apesar das fortes razões para intervenção, a fim de evitar danos mais graves”.

Em setembro de 1943, quando os alemães invadiram Roma, este silêncio do Papa salvou 4.000 judeus romanos escondidos em seminários e conventos, e a diplomacia vaticana acrescentou a estes números mais centenas de milhares de pessoas, no período de 1943-1944 em países como a própria Itália, Eslováquia, Croácia, Romênia e Hungria. O Papa ajudou a conseguir a quantia de cinqüenta quilos de ouro exigidos pelos invasores para não deportar os judeus romanos. Embora a quantia tenha sido entregue ao embaixador alemão na Itália, von Weizsäcker, a deportação foi iniciada um mês após.  

O curioso é que durante todo este período de desgraça que se abateu sobre os judeus europeus, Roosevelt, Churchill ou De Gaule se pronunciaram muito menos que o Papa Pio XII. Do silêncio deles ninguém fala.  No dia 8 de maio de 2007 a congregação vaticana para a Causa dos Santos reconheceu a “heroicidade das virtudes” do Papa Pio XII. 

 

Padre José Cândido da Silva

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

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