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Homilia da Festa da Santíssima Trindade

Homilia da Festa da Santíssima Trindade


A liturgia da Igreja coloca-nos em contato com a história da salvação. No Advento celebramos o tempo da promessa. Ajudado pela palavra profética Israel se prepara para a plenitude da Revelação e da Salvação. No ciclo das festas de Natal celebramos a Encarnação. Na vida e na pregação de Jesus o Ser e o Agir de Deus se tornam manifestos. Compreendemos o motivo da criação e para onde caminha a história. O plano de Deus é um plano de amor includente: d'Ele saímos e para Ele retornamos. Jesus nos revelou a paternidade de Deus e ele, Jesus, como único Filho a si nos incorpora para que nele possamos receber a plenitude do dom da filiação.

O que Jesus nos revelou tornou-se efetivamente possível pela sua obra redentora consumada na sua morte e ressurreição. Sem o aguilhão da culpa e do pecado pela redenção, somos conformados cada vez mais à imagem de Cristo plenificando o dom da filiação pela infusão do Espírito santificador. A celebração da páscoa precedida pela quaresma que foi concluída em Pentecostes nos permite recuperar toda esta memória salvífica atualizada sacramentalmente pelo culto litúrgico. O Pai nos alcança amorosamente pelo Filho Redentor e pelo Espírito Santificador. Assim somos introduzidos na comunhão divina de Um Deus em três pessoas.

Hoje, celebramos numa síntese final de toda a história da salvação a Festa da Santíssima Trindade. Tudo o que temos e somos é obra amorosa deste Deus, Pai, Filho, Espírito Santo que nos é revelado como um Mistério de profunda comunhão. Experimentamos a Paternidade de Deus quando pensamento e coração insistem em voar para as origem do ser, a raiz do existir, o sentido da vida. Descobrimos que no começo e no fim de tudo existe um Mistério de amor e misericórdia que nos sustenta. Podemos exclamar como o salmista: “ Senhor, tu me sondas e me conheces, de longe penetras o meu pensamento, a palavra ainda não me chegou à língua e já a conheces inteira, tu me envolves por trás e pela frente, sobre mim colocas tua mão. Se subo ao céus tu lá estás, se desço às profundezas da terra, aí te encontro” (Sl 139). Experimentamos a fraternidade de Deus no encontro com o grande Irmão, Jesus Cristo, o Verbo unigênito do Pai, gerado desde toda a eternidade. Este Deus-irmão veio a nós na plenitude dos tempos e nele nenhum rosto humano pode ser indiferente. Todos temos a sua marca e cada gesto de amor dirigido a todos, preferencialmente a quem sofre, a ele é dirigido, nele é amado e desta forma cada um de nós também encontra seu amor. Experimentamos a fraternidade de Deus e a presença do Verbo, na comunidade de fé que celebra a Palavra, os sacramentos. Enfim, experimento a intimidade de Deus no mais íntimo do meu ser, santificando-me suavemente em sagrado respeito à minha liberdade, movendo-me para a Vida e para o Amor. É a brisa suave e santa do Monte Horeb, o Espírito vivificador e renovador de toda a criação. Ele promove a minha identidade mas a conduz para a comunhão pois é o mesmo que está em tudo e em todos.

A comunhão na distinção é o modelo de vida e de organização humana e eclesial que a Trindade nos inspira. A sociedade humana precisa superar os conflitos originados das diferenças, até mais, precisa aprender a viver a diferença como princípio enriquecedor e mesmo cultivá-la. Mas é necessário não permitir que a diferença redunde em rupturas causadas pelas injustas disparidades que não diferenciam mas separam. A Igreja mais do que qualquer outro acontecimento histórico é o evento sinal e sacramento da Trindade, onde o pluralismo na unidade deve ser cultivado até à excelência. A Igreja deve ser o referencial de pessoas em comunhão para toda a humanidade. Nós somos muitos mas formamos um só corpo. Sim, irmãos e irmãs, Deus existe, isto é mais do que uma constatação da minha mente inquiridora. Ele é presença na vida e na história. ele tem nome. Ele é Pai, Filho, Espírito Santo, um só Senhor, um Só Deus, um só Amor.

Glória a Ti, ó Pai fonte de todo bem e de todo Ser. Glória a Ti pelo céu e pela terra. Pelo esplendor do sol que aquece e que ilumina e pela suavidade das estrelas que velam quando dormimos. Glória a Ti pela imensidão de mundos e galáxias que formam o infinito cosmos em perfeita ordem e beleza e pelas minúsculas criaturas onde a tua perfeição também se manifesta admirável. Glória a ti, Verbo, eternamente nascido do Pai, sua imagem perfeita. Glória a ti, pois te coube a missão tão terna de vir nos visitar e sendo Palavra do Pai te tornas também palavra para nós pela encarnação no seio de Maria. Glória a ti por revelares o Deus dos pequenos, e dos simples e ter nos amado tanto que te entregaste docilmente em imolação. Ao voltares ao Pai tu continuas conosco pela tua Igreja, pelo pão e pelo vinho partilhados em tua memória. Glória a ti, Espírito Santo, Espírito do Pai e do Filho, imenso e divino como o Pai e o Filho. Aconchegaste no teu colo de vida o ser que explodiria na criação: a beleza das flores vêm de ti, a ternura humana que afaga, que perdoa e que ama vem de ti. A coragem do fraco vem de ti. A luz que brilha nas trevas vem de ti. A mão que em meio as bombas do ódio semeia sementes de bondade, vem de ti. Toda a bondade, amor e santidade de ti procedem porque tu procedes do Pai e do Filho. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Padre José Cândido da Silva 

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

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