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Estado Versus Barbárie

Estado Versus Barbárie


Os terríveis acontecimentos dos últimos dias em São Paulo obrigam-nos a refletir com frieza sobre as possibilidades e limitações do estado brasileiro diante de uma situação de terrorismo e guerrilha urbana. O que nós perplexos observamos não é uma situação de criminalidade normal que deve ser enfrentada pelos ditames da ordem jurídica e democrática vigentes. O que observamos é algo assustador que humilha o estado de direito, aniquila a ordem democrática e decreta a falência de todas as instituições, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. Não sabemos mais a quê, nem a quem apelar. 
    
Desconfio que as regras existentes não valem mais na atual situação. Nem a promoção da justiça e do progresso econômico é capaz de restabelecer a paz pública. Trata-se de uma situação de exceção que só pode ser vencida por medidas de exceção.
Bandidos da mais alta periculosidade, ligados ao tráfico de drogas, impõem às forças de segurança uma rendição vergonhosa. A situação chega ao cúmulo dos bandidos se revoltarem quando as forças de segurança realizam atos capazes de frustrarem seus intentos criminosos. Querem ver preservadas suas estruturas de poder e de mando para continuarem com o comércio criminoso que sobrevive às custas das vidas de milhares de pessoas. A prisão destes bandidos do tráfico de drogas não cumpre nenhuma das funções que um sistema prisional moderno deveria exercer, qual seja, proteger a sociedade dos maus elementos e promover a reeducação dos delinquentes, preparando-os para uma possível re-inserção social. Para os narcotraficantes nada disso vale.
    
Diante desta situação, ao estado de direito, que tem a obrigação de proteger o cidadão por ser este seu escopo básico, só restam alternativas radicais, específicas e muito polêmicas para este tipo de crime. Uma: a liberação de toda e qualquer droga com venda na farmácia da esquina mediante impostos severos com campanhas educativas, proibição de propagandas e admoestações sobre os riscos. Outra: o estabelecimento de alguma forma de neutralização total, radical, imediata e sumária dos chefes do tráfico, mortais inimigos do povo. Não se trata de instaurar a pena de morte. Mas estabelecer um dispositivo excepcional, transitório e específico para expurgar do seio da sociedade pessoas que representam uma ameaça real e grave à vida das populações até desmantelar por completo as redes das organizações criminosas. Outra ainda: tomada de medidas legais em relação aos traficantes assassinos com um estatuto jurídico diferente dos criminosos comuns. 
     
O investimento na área social, na educação não é projeto para se lembrar durante o terror da guerrilha urbana. Mas é projeto permanente e continuamente a ser cobrado por nós em um país marcado por desigualdades. Uma coisa é política de desenvolvimento social, permanente, séria, responsável, outra coisa é combater a guerrilha e o terrorismo. A sociedade não pode ser chantageada, a cada crise, com a lengalenga de apelos ideológicos. Servidores públicos, população civil estão morrendo agora, e não se pode permitir sob qualquer título que este massacre continue. Se não houver uma solução radical e rápida não demora muito, surgirão esquadrões da morte, linchamentos nas ruas, sistemas clandestinos de defesa, revolta disseminada entre a população civil, e a instauração de uma cultura de ódio tão grave que inviabiliza de vez a co-existência pacífica entre as pessoas. Estamos a alguns passos de acabar de vez com o estado brasileiro que, aliás, já está caindo de podre! A perspectiva é sombria!

 

Padre José Cândido da Silva 

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

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