mapLocalização
Veja o Mapa
mapMissas dominicais
7h, 9h, 11h e 19h

        3295-3741

Não o Esqueceremos Jamais

Não o Esqueceremos Jamais


A Igreja Católica, em toda a terra, rende graças a Deus pelos 25 anos do fecundo pontificado do Papa João Paulo II, “o administrador fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre o seu pessoal para dar, em tempo oportuno, o alimento devido ( Lc 12, 42)”. “O Papa que veio de longe”, como ele se auto-definiu naquele memorável entardecer do dia 16 de outubro de 1978, surgiu com as vestes pontificais na majestosa “ loggia” (varanda) da patriarcal basílica de São Pedro. A “Piazza”, com a “colonnata” de Bernini no formato de dois braços que abraçam, acolhia, naquela noite, uma numerosa multidão que acabara de ouvir a voz possante do Cardeal Carmelengo, o francês Jean Villot, proclamar: “Annuntio vobis gaudium magnum: habemus papam”. (Anuncio-vos uma grande alegria: temos papa). 

O milenar comunicado ressoou pelos alto-falantes da praça e pelo mundo inteiro através dos milhões de aparelhos de rádio e tv. Os fiéis e o mundo ouviram, estupefatos, o nome de um cardeal pouco conhecido no ocidente e difícil de se pronunciar: Karol Józef Wojtyla nascido em Wadowice, Polônia, no dia 18 de maio de 1920. Quantas interrogações sobre o novo papa, o 264° na ordem da sucessão, ou o 263° sucessor do apóstolo Pedro. Jornalistas desesperados, vaticanólogos perplexos buscavam informações sobre o homem que agora deveria comandar a mais antiga, numerosa, influente e complexa Igreja Cristã do mundo. Já de início, ele começou conquistando os romanos através de um italiano quase impecável, não fosse um ligeiro acento eslavo. Mas o carisma pessoal compensou qualquer outra possível resistência. Afinal o papa é, antes de tudo, o bispo de Roma. O mesmo carisma que levou este polonês, feito papa, a conquistar pela simpatia, pela coerência, o mundo inteiro, mesmo quando suas palavras eram e são duras de aceitar. 

Dia 1° de julho de 1980, 10:30 da manhã, eu estava ao microfone na atual praça do Papa aqui em Belo Horizonte. Diante de mim uma multidão incalculável que, da praça, se derramava por todo o corredor da Av. Afonso Pena até a Estação Rodoviária e depois pela Av. Antônio Carlos até o aeroporto onde o Papa João Paulo II acabava de desembarcar. Era o pastor visitando o seu rebanho. Os alto-falantes da praça anunciaram: Sr. Joaquim Mariano procura sua esposa D. Izabel Cândida. Era o meu pai que achou que tinha perdido minha mãe. Mamãe não se tinha perdido, ela tinha achado um lugar melhor para ver o Papa. O Papa entra com o papa-móvel na praça e a multidão entra em delírio. Até hoje eu ainda me emociono com a cena inesquecível. O Santo Padre sobe ao altar, para iniciar a Eucaristia, eu tento beijar-lhe a mão, mas o Mestre de Cerimônias da Capela Pontifícia tenta afastar-me. O Papa percebe e vem ao meu encontro, me abraça e eu mal consegui balbuciar alguns vocábulos desconexos. Ao final da missa ele se posiciona ao meu lado para cantar e estabelecer um diálogo com a multidão constituída, em grande parte, de jovens. Ao cantarmos juntos “ A Barca”, ele me diz: “ Já cantei tantas vezes esta música na minha terra, a Polônia, sempre com os jovens”. Ele não sabia que nós a tínhamos escolhido de propósito por ser uma canção eslava. Ainda hoje suas palavras ressoam em todos os corações: “O Papa não os esquecerá, nunca mais!” 

Julho de 1983. Eu estava em Roma com um grupo do Brasil. Queria fazer uma surpresa para todos conseguindo o ingresso na capela particular da residência de verão do Papa em Castel Gandolfo, nos arredores da cidade, para participarmos da missa matinal. Se eu fosse um padre mais experiente eu nem teria tentado. Identificando-me na Prefeitura Apostólica como primo do saudoso D. Lucas, uma mentira confessada posteriormente e perdoada, consegui o telefone do secretário do Papa, na época Mons. Kabonga, e ele permitiu que eu e mais duas pessoas do grupo fôssemos, no dia seguinte, participar da missa com o Papa. Às seis horas da manhã, já dia feito no verão romano, lá estávamos aguardando no pátio em frente ao palácio. Um funcionário da guarda pontifícia nos encaminhou por corredores enormes e vários salões todos decorados com afrescos belíssimos. A capela já estava tomada por freiras, e dois senhores alemães, gente do alto escalão do governo alemão, com suas respectivas famílias. O Santo Padre estava imerso em profunda oração e a celebração da Eucaristia foi vivenciada com comovente profundidade. Ainda me ressoam as palavras da antífona do Salmo entre as leituras: “ Salva il tuo popolo, Signore” ( Salva o teu povo, Senhor). Através das palavras do salmista, João Paulo II entrava na esfera do Divino e rezava pela sua, nossa Igreja, o Povo do Senhor. Coube-me a incumbência, por ser o único concelebrante que falava italiano, ajudar ao lado do Papa toda a celebração. Foi o meu Tabor! Até hoje guardo no meu coração estes momentos inesquecíveis. O Papa, hoje, está fragilizado pela doença, mas acima de tudo, porque gastou-se de amor e de entrega em favor da Igreja e do mundo, a exemplo de Jesus que deu a sua vida pelos seus. Agradeço ao Pai o privilégio que tive de fazer parte destes 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II. Ele é e será sempre o grande dom do Senhor à Igreja do mundo contemporâneo. Respondo comovido à sua declaração de amor por nós dizendo-lhe nestas suas bodas pontificais: “Nós também, Santo Padre, não o esqueceremos, nunca mais!”

 

Padre José Cândido da Silva 

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

Localização

      
        

holy bible