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Coisas Difíceis de Entender

Coisas Difíceis de Entender


Há muitas coisas no nosso país que são difíceis entender. Sabemos que o direito de ir e vir é básico na democracia. Mas este direito torna-se um problema quando as pessoas não têm onde se abrigar, nem meios de sustentação. Daí decorrem problemas graves de cidadania e convivência: verdadeiros atentados à democracia. Não é justo simplesmente exportar problemas ou mesmo acumulá-los. 

Na verdade, muitos, comodamente se omitem, e com isto permanecem inatingíveis às eventuais críticas oriundas de certos setores interessados em regimes paternalistas. De fato, dar casas, arrumar empregos para migrantes jamais vai resolver problema algum. Moradia e trabalho são direitos que devem ser assegurados a todos, principalmente nos lugares de origem. São direitos a serem conquistados com trabalho, perseverança, dedicação, seriedade e poupança. Todos sabemos de casos daqueles que receberam moradia de graça, e uma vez delas apossados, vendem-nas a terceiros e ainda se gabam da sua esperteza! No entanto, a maior parte constituída de gente honesta e trabalhadora luta à vida toda para ter uma casinha. Por isto eu creio que a necessária revitalização do interior deve ser acompanhada de uma vigilância constante em relação ao ingresso nas cidades. Quem chega numa cidade, sem lugar para morar e sem emprego, deve ser orientado a retornar para sua comunidade de origem que deve cuidar do seu povo. Se cada região, comunidade, assumir e resolver as suas dificuldades, serão mais fáceis o progresso e a promoção de todos. 

Os mais simples não entenderam ainda que a grande cidade não é mais o grande objeto de desejo onde seus problemas seriam magicamente resolvidos. Ao contrário, a cidade está se transformando em um verdadeiro depósito de mendigos, pedintes, crianças de rua e na rua, famílias se alimentando de lixo, gente perdida, sem rumo e a violência crescendo assustadoramente. A autoridade deve ter o nosso apoio quando assume efetivamente a sua responsabilidade pelo bem comum e pela paz pública. Ao permitir o ingresso, no entanto, é seu dever dar as condições básicas aos migrantes e manter o bem-estar dos residentes. Se não consegue assumi-los não poderá permitir sua vinda.

Há também a insensatez de fazer vista grossa para construções extremamente precárias nos morros, à beira das rodovias, em logradouros públicos e em áreas inadequadas. As enchentes, a degradação do ambiente, os incêndios, a proliferação de viroses e outras doenças causadas por total ausência de condições de higiene, constituem um caldo natural produtor de desgraças e de eliminação da qualidade de vida para todos. Barracas frágeis de plástico instaladas nas ruas e avenidas da nossa cidade transformadas pelos abrigados em cloacas a céu aberto demonstram a total incapacidade de construirmos uma cidade decente. A sabedoria milenar nos ensina: é melhor prevenir do que remediar. O jeitinho brasileiro não está funcionando mais! Discursos e bravatas são coisas do passado. A complexidade dos problemas chegou a tal ponto que sem planejamento, responsabilidade e determinação nós todos iríamos para o caos se não confiássemos na sensibilidade, seriedade e competência dos atuais governantes.

 

Padre José Cândido da Silva 

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

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