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Cristianismo e Reencarnação

Cristianismo e Reencarnação


Vou decepcionar alguns católicos começando por afirmar aquilo que todos os professam de verdade a fé cristã o sabem de sobra: É INCOMPATÍVEL SER CATÓLICO E CRER EM REENCARNAÇÃO. Vou apresentar em argumentos simples e diretos o motivo desta afirmação tão peremptória. 

 

1. É bom situar inicialmente a questão. Cada um tem a liberdade de crer naquilo quiser. Desta forma não estamos entrando no mérito da doutrina reencarnacionista se é boa ou não. Simplesmente a questão é se o cristão, no nosso caso católico, pode manter a sua fé integralmente e acrescentar-lhe esta outra. Não estamos de nenhum modo desrespeitando ou ofendendo os espíritas. Só estamos dizendo que não se podem misturar as coisas: espírita é espírita e cristão é cristão.

 

2. A teoria da metempsicose ou reencarnação é própria da cultura hindu e de religiões gnósticas, genericamente falando, que existiram séculos anteriores ao cristianismo. Porém, jamais estas teorias sobre a reencarnação penetraram na Bíblia, nem no Antigo nem no Novo Testamento. A cultura judaica de onde surgiram também as escrituras cristãs sempre foi impermeável a esta proposta pois a antropologia bíblica rejeita o ser humano dividido em corpo e espírito. A unidade indissolúvel do ser humano como uma verdade bíblica é uma tese que alcança admirável unanimidade entre todos os estudiosos sérios tanto na área da exegese como da teologia bíblica.

 

3. Este texto de Hebreus é muito interessante: "E como é um fato que os homens devem morrer só uma vez, depois do que vem um julgamento, do mesmo modo, Cristo foi oferecido uma vez por todas para tirar os pecados da multidão" (Hb 9,27). Vemos com clareza que o texto simplesmente faz uma afirmação não para provar algo contra uma pretensa doutrina reencarnacionista, mas para argumentar a favor da redenção definitiva do sacrifício de Cristo. Isto torna o texto ainda mais precioso. Pois ao iniciar-se pela expressão "e como é um fato" demonstra que o apóstolo nem sequer teve preocupação com o problema da reencarnação pois isto não fazia parte da cultura bíblica. Da mesma forma como nem se deve levar em consideração pretensos versículos aduzidos como favoráveis à reencarnação. Sem dúvida eles significam outra coisa e não isto. Outros textos bíblicos que desautorizam a crença na reencarnação tendo em vista a observação anterior. (Eclo 14, 12-19; Lc 16, 19-32; Rm 2, 5-8; Gl 6,6ss.) 

 

4. Mas, o mais importante é o fato de acreditar que a nossa purificação e aperfeiçoamento se dá em virtude ou pela força de sucessivas vidas onde o sofrimento é entendido como castigo de culpas em vidas passadas e preparação para um estágio superior na próxima. Isto solapa o fundamento da fé cristã que atribui única e exclusivamente a redenção dos pecados e a salvação definitiva em virtude da REDENÇÃO EM CRISTO e do poder e da graça do Espírito Santo. Se nós retiramos a missão redentora do Filho de Deus e a ação do Espírito em nós, o que sobra da fé cristã? A Encarnação do Verbo não existiu porque Jesus não é o Redentor, o Filho de Deus, mas um iluminado que veio somente para ensinar, como Mestre. Alguns dizem que ele próprio, Jesus, é fruto de reencarnações anteriores. Desta forma para que servem a Igreja, os sacramentos, a fé e a graça? Para nada! Que um espírita possa crer desta forma não temos nada a dizer, mas que alguém pretenda se incluir no cristianismo minando-o, desta forma, na base, não faz sentido. O cristão, como afirmam nossas escrituras, é aquele que professa a fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado, nosso único Senhor, nosso único Salvador. Somente por Ele temos acesso ao Pai. Só por Ele na força do Espírito somos salvos. 

 

5. Por isto a Igreja nunca teve preocupação em condenar como heresia a doutrina reencarnacionista em virtude da total ausência de fundamentos bíblicos. Pois a heresia precisa ter pelo menos aparentemente fundamentos ainda que errôneos. A doutrina da reencarnação é tão estranha ao espírito cristão e tão distante da mentalidade bíblica que nunca se percebeu a necessidade de uma definição eclesial de condenação. Não é um elemento da nossa fé. Talvez merecesse do episcopado brasileiro um documento elucidativo sobre o tema, aos nossos fiéis. Uma vez que é um problema restrito ao cristianismo em terras brasileiras. Tal doutrina professada no espiritismo de Alan Kardec não encontra mais seguidores em nenhum outro lugar de forma significativa e organizada. Na França, lugar de origem, é corpo estranho. Mas, no Brasil o espiritismo tem relevância principalmente entre aqueles que, de tradição católica, rejeitam as exigências da Igreja Católica, principalmente em relação à moral matrimonial, sua estrutura hierárquica, mas, sendo pessoas de natureza religiosa encontram no espiritismo e em outras crenças esotéricas uma forma mais livre de expressar sua religiosidade. Tais pessoas acabam por disseminar a mentalidade da possibilidade de coexistência de algumas crenças tipicamente espíritas, entre elas sobressai a crença na reencarnação, com a doutrina cristã. Mas pelo menos para os que desejam permanecer fiéis à fé cristã e à Igreja Católica, esta coexistência é impossível.

 

Padre José Cândido da Silva 

Pároco da Igreja São Sebastião - Barro Preto


 

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